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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Mouzinho de Albuquerque



Em substituição de António Enes, Mouzinho de Albuquerque foi nomeado governador geral de Moçambique, a 13 de Março de 1896, depois do êxito militar nas "guerras da pacificação".

Com o passar do tempo as clivagens que se foram formando entre Mouzinho e o seu grupo militar os "africanistas" e o poder militar e governamental de Lisboa foi-se agravando.

Mouzinho nunca quis ver-se como um simples funcionário dum aparelho administrativo, naturalmente dependente também ele do poder central.

Promoveu-se a si próprio a "delegado do rei" a quem mandava relatórios dos seus feitos militares ignorando os canais de informação que o o seu cargo implicava.

Mouzinho de Albuquerque tinha um plano para África, queria realizar a ocupação territorial, impondo um regime militar apoiado na missionação católica, que contrariava os princípios liberais cada vez mais institucionalizados em Portugal.

Não quer dizer-se que Mouzinho quisesse romper deliberadamente com esses princípios liberais, ele próprio herdeiro de família que por esses princípios se haviam batido, porémpelo menos em África esse convencionalismo liberal era contrário a concretização dos seus objectivos.

Mouzinho de Albuquerque não se deu bem com nenhum governo, nem com o de Hintze, nem como o de Luciano de Castro, nem afinal com o próprio Rei, para quem a sua sucessiva atitude de desobediência e contestação também incomodava e que por mais do que uma vez lhe comunicara, esse desagrado.

Uma nova recusa do governo de José Luciano de Castro com o apoio explícito de D.Carlos fez com que Mouzinho se tenha demitido das suas funções, em 9 de Julho de 1898,aceite pelo chefe do governo.

Regressado à Metropole, foi nomeado, a 28 de Setembro de 1898, ajudante de campo efectivo do Rei D. Carlos, oficial-mor da casa real e aio do príncipe D. Luís Filipe.

Incapaz de, pela sua própria formação militar rígida e pelo feitio orgulhoso, de resistir ao clima de intriga, de indecisão política e de decadência em que a monarquia agonizava, Mouzinho de Albuquerque prepara minuciosamente a sua morte, suicidando-se no interior de um "coupé", na Estrada das Laranjeiras no dia 8 de Janeiro de 1902.

Acontecimentos no ano de 1898-2ºparte

  • Maio, 20 - Inaugurado o Aquário de Algés integrado nas comemorações de Vasco da Gama.


Na sequência das comemorações em Lisboa do 4º centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo para Índia o Aquário Vasco da Gama foi inaugurado a 20 de Maio de 1898 , numa cerimónia de grande impacto público, na presença da Família Real e numerosas individualidades da época.

Na altura da inauguração o Rei D. Carlos, cuja influência havia sido determinante para a edificação do Aquário, realizou numa das suas salas uma exposição com o material zoológico por ele recolhido nas campanhas oceanográficas de 1896 e 1897.

Findas as festas das comemorações, ficou o Aquário sendo propriedade do Estado. Em Fevereiro de 1901, a sua administração foi entregue à Marinha, onde permanece até hoje como organismo cultural.

  • Agosto,30-Alemanha e Inglaterra assinam contratos secretos sobre os territórios portugueses do ultramar.

No contexto da guerra Espanha-Estados Unidos e que relatarei noutro contexto a Grã-Bretanha manteve-se neutral,( bem como Portugal) embora numa posição muito próxima dos Estados Unidos.

Porém em plena conjuntura dessa guerra decorreram negociações entre a Inglaterra e a Alemanha, que resultaram nesta convenção de 30 de Agosto, onde ambas admitiram a partilha dos domínios coloniais portugueses a Sul do Equador, se Portugal não conseguisse cumpri as suas responsabilidades para com a dívida externa.

Acontecimentos estranhos nomeadamente o início da guerra anglo-boer, viria a alterar esses planos conduzindo ao reforço do Tratado de Windsor que renovava mais velha aliança europeia, viria dissipar aquela ameaçadora intenção.

É possível que o governo português tenha tido conhecimento deste convénio secreto, pois declinou a oferta de um empréstimo conjunto de capitais ingleses e germânicos (Pedro S. Martinez, História diplomática de Portugal, Lisboa,

Penso contudo que mais uma vez, salvar as aparências foi o objectivo. Esta recusa não excluí a hipótese de indirectamente a Inglaterra tenha influenciado os mercados financeiros, porque o empréstimo externo existiu mesmo.


Acontecimentos no ano de 1898-1ªparte


  • Remodelação Governamental

O governo de José Luciano de Castro, não veio acalmar as hostes dos Progressitas, pois há muito que as jovens figuras , entre as quais José Maria Alpoim Cabral, aspiravam a lugares de destaque.

Alpoim Cabral,advogado e já deputado, não tinha sido convidado para o governo, empossado no ano anterior atendendo à preferência que Luciano de Castro havia tido pelo progressistas mais velhos para a formação desse seu governo.

Muito embora tenha sido nomeado ajudante do procurador-geral da Coroa, não ficou satisfeito, acabando por entrar numa remodelação de governo em 18 de Agosto de 1898 na qual só Veiga Beirão se manteve, muito embora substituído por Alpoim na Justiça, mas transitando para os Estrangeiros.

Afonso Espargueira para o lugar de Ressano Garcia na Fazenda. Entrada de Sousa Teles para a Guerra e Eduardo Vilaça para a Marinha e Ultramar e Elvino de Brito para as Obras Públicas e Comércio.

Remodelação que se seguiu a uma outra que tinha acontecido no final do ano anterior, quando Barros Gomes,ministro da marinha, mantendo esta pasta, substitui o diplomata Matias de Carvalho e Vasconcelos nos estrangeiros.

Com esta remodelação, o governo diminuí substancialmente a sua média etária, tornando-se mais jovem muito embora os problemas sejam "velho" e de difícil resolução, que só viria a melhorar um pouco na Primavera do ano seguinte, por força da melhoria da situação no Brasil, e a normalização das remessas dos emigrantes e ao que se sabe por força dos bons ofícios da Inglaterra intercedendo por Portugal nas praças europeias financeiras.


  • Morte de Roberto Ivens.

Oficial da Marinha de Guerra portuguesa e explorador da África Meridional.
Chefiou em Angola expedições no Sul da então colónia portuguesa com base na baía dos Tigres e no curso do rio Zaire

Em 1877, com Hermenegildo Capelo e Serpa Pinto, o primeiro também oficial da Armada e o segundo oficial do Exército, explorou os territórios entre Angola e Moçambique, explorando as bacias hidrográficas dos rios Zaire e Zambeze, expedição essa que terminou em 1880.

Depois, com Hermenegildo Capelo e em 1884/85, partiu de novo de Angola para Moçambique (Tete), expedição esta que os dois repetiram. Estas expedições, para além de terem permitido fazer várias determinações geográficas, colheitas de fósseis, aves, colecções botânicas, permitiram também servir para a defesa da presença portuguesa nos territórios explorados e reivindicar os respectivos direitos de soberania (mapa cor-de-rosa) que a Inglaterra não aceitou e que provocou o Ultimato de 1890.

(nota retirado de Vidas Lusofonas)


  • Abril,22-Publicação no Diário do Governo dos estatutos da Companhia União Fabril -- CUF -, surgida pela fusão da Companhia Aliança Fabril com a União Fabril.


A Companhia União Fabril (CUF) foi um dos principais grupos económicos portugueses até ao 25 de Abril. A sua fundação deve-se especialmente à acção de Alfredo da Silva, figura excepcional no panorama industrial português.

A CUF expandiu-se a vários ramos da indústria, desde os sabões, adubos químicos, sulfatos, fundição, construção de navios, transportes, tabacos.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Acontecimentos do ano de 1897-6ºparte




  • Entrega do cruzador Adamastor á marinha de guerra

O Adamastor foi um cruzador da Marinha Portuguesa, construído nos Estaleiros Navais de Livorno, na Itália em 1896 ,foi entregue à marinha portuguesa a 14 de Agosto de 1897, o Adamastor é um navio importante para a história de Portugal por duas razões especiais.

A sua compra, veio na sequência do ultimatum britânico,que provocou um movimento de comoção nacional que foi aproveitado para numa subscrição pública que durou oito anos, para obter dinheiro para adquirir navios de guerra.

Na realidade, o Adamastor não era um navio especialmente poderoso e o seu armamento e autonomia eram mais adequados para operar nas colónias, onde Portugal tinha um numero considerável de pequenas canhoneiras, mas não possuía grandes navios, como os cruzadores e couraçados das esquadras dos maiores países europeus.

A subscrição pública rendeu dinheiro para a compra do cruzador Adamastor e quatro outros pequenos navios a estaleiros Italianos.

Entre as operações em que o navio participou, conta-se a que ocorreu 13 anos depois de ter sido incorporado na marinha. O navio esteve ligado ao golpe de estado de 5 de Outubro de 1910 - golpe liderado pela marinha portuguesa - e que teve como objectivo implantar um sistema republicano.

  • Morte do Dr. Sousa Martins

Dr. Sousa Martins de seu nome de baptismo José Tomás de Sousa Martins, nasceu em Alhandra a 7 de Março de 1843, vindo a falecer em 18 Agosto de 1897.

Desde cedo sua vida não foi fácil, e bastante jovem foi viver para Lisboa. Empregou-se como marçano na Farmácia Ultramarina, propriedade de um tio seu, sita na Rua de S. Paulo, em Lisboa, e que ainda hoje existe. Tornou-se exímio manipulador de produtos naturais e de praticante de farmácia chegou a farmacêutico. Após o curso de Farmácia, tirou o de Medicina, e em poucos anos tornou-se uma das figuras mais marcantes do século XIX.

Foi um dos médicos mais prestigiados de Portugal, tendo ficado famoso pela sua luta contra a tuberculose.

Cientista prestigiado, desfrutou de projecção internacional pelo estudo da tuberculose e das doenças nervosas.

Afirmou-se “progressista e ‘maçon’”.
.
A luta contra a tuberculose expunha-o à doença, nos contactos diários e directos com os doentes terminais. Detinha-se junto deles, a amenizar-lhes o medo. Muitos morreram de mãos entre as suas, alguns viram-lhe auras estranhas sobre os cabelos.

O Dr. Sousa Martins foi atacado pela tuberculose. Alguns dizem que querendo evitar o seu próprio sofrimento, suicidou-se em 1897. Outros dizem que faleceu de morte natural, tendo como prova disso a sua certidão de óbito. Os seus restos mortais repousam no cemitério de Alhandra.

Ao tomar conhecimento da morte do Dr. Sousa Martins o rei D. Carlos disse: “Ao deixar o mundo, chorou-o toda a terra que o conheceu. Foi uma perda irreparável, uma perda nacional, apagando-se com ele a maior luz do meu reino”.

Dr. Sousa Martins não é apenas um nome de médico. Muitos o consideram um santo e dizem que opera milagres. Amigo dos pobres, desamparados e doentes, o Dr. Sousa Martins deu origem a um extraordinário culto em Portugal.
Fonte



quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Acontecimentos no ano de 1897-5ªparte


  • Comício republicano no Porto
No dia 13 de Junho realizou-se no Porto um Comício republicano que visava a analise da situação financeira do país

Segundo o jornal Resistência de Coimbra dizia na altura

Realizou-se, como eslava annunciado,no domingo, o comício convocado pelo partido republicano. A grande manifestação popular decorreu no meio do mais vibrante enthusiasmo e deixou no espírito de todos uma viva impressão pelo muito que significa. Toda a imprensa assignala a importância incontestável do comício, importância que tanto mais se affirma quanto ella se distinguiu pela quantidade e não menos pela Qualidade dos que a elle accorreram. Mais de seis mil pessoas, de todas as classes sociaes, animadas do mesmo interesse, vibrando da mesma commoção, assistiram áquella assembléa com uma attenção tam religiosa, que é, porventura, a nota mais significativa, pelo muito querevela. Durante as três horas que durou o comício, era solemne o aspecto da numerosa assembléa, a ouvir de cabeça descoberta as verdades que lhe transmitliam os oradores Duarte Leite, Basilio Telles, Manuel de Arriaga, Jacinto Nunes, Afonso Costa, Brito Camacho e Santos Silva Depois o presidente Nunes da Ponte, interveiu dando por findo o comício, pelo que deixaram de fallar outros oradores que estavam inscriptos. O resultado mais importante do comício, sob o ponto de vista do motivo da sua convocação, foi approvação unânime e calorosa do protesto apresentado pelo sr. dr Darte Leite, trabalho magistral d'um alto valor

  • Visita real ao Algarve

Estão no Algarve os Reis e Portugal. Bem vindos sejam!». Foi assim que a imprensa farense, através de O Algarve, saudou a chegada ao Algarve do rei D. Carlos e a rainha D. Amélia de Orleães, no dia 9 de Outubro de 1897.

Interrompendo o habitual tratamento termal da rainha D,Amélia, o casal real visitou aquela província o que não acontecia desde o reinado de D.Sebastião

A visita real ao Algarve, que então já de denominava de província e não de reino, realizou-se entre 9 e 15 de Outubro de 1897, com início na gare de Albufeira, onde os soberanos chegaram de comboio pelas 8 da manhã.

De Albufeira partiriam para Faro, passando antes por Loulé, onde também tiveram recepção oficial. Depois de visitarem todo o Sotavento, Sagres e Lagos, chegariam na noite do dia 12 a Portimão, onde depois de grandiosa recepção pernoitaram no iate D. Amélia, aqui atracado.

Praticamente toda a grande imprensa lisboeta, algarvia e nacional se faria representar na viagem, nomeadamente os jornais Diário de Notícias, O Século, Branco e Negro, e Ilustração Portuguesa, onde encontrámos abundantes alusões ao percurso

Sobre a lenta ascensão até Monchique existem várias descrições nos principais jornais do reino: «Maravilhoso todo este caminho que, partindo de Portimão, subindo sempre, leva a Monchique».

Na Torrinha, limite do termo encontravam-se as várias individualidades concelhias, nomeadamente o administrador do concelho e representante do Governo José Sebastião “da Venda”, o presidente da Câmara Municipal e antigo deputado José Joaquim Águas, o juiz de Direito substituto e conservador do Registo Civil, Dr. Francisco do Rego Feio, o grande proprietário local e deputado pelo circulo de Silves (a que o concelho pertencia), coronel José Gregório de Figueiredo Mascarenhas, vereação, restantes autoridades, figuras de destaque local, povo e pelo menos uma das várias bandas musicais que então havia no concelho. Das restantes filarmónicas, uma estava nas Caldas e as outras espalhadas ao longo do trajecto. Depois das saudações os soberanos seguiram viagem rumo às Caldas de Monchique.

Dando a vez ao repórter, este descreve os «pinhais, sobreiros, medronheiros, grandes moitas de alecrim e de rosmaninho balsâmicos. O cenário agiganta-se, alargam-se os horizontes, cavam-se vales fundos e apertados (…), de espaço a espaço, nas voltas da estrada toda em zig zags caprichosos, entrevê-se pelas abertas dos cimos sobrepostos, a Picota, penedo abrupto de difícil acesso, e que fica ao nascente da Foya, a soberba rainha serrana sempre namorada por grandes massas de nuvens».

Nas Caldas de Monchique os soberanos receberam flores das três filhas do Dr. João Bentes Castel-Branco, médico e concessionário da estância termal, que lhes preparara uma marcante recepção, com visita ao Sanatório Kneipp e uma exposição de artesanato, vestuário e medicamentos naturais.

Não se demorando muito na estância termal, a comitiva continuou na direcção da vila. A nossa fonte é mais uma vez a revista Branco e Negro: «do Banho para cima as rampas são ásperas e avança-se lentamente durante uma hora até à vila de Monchique».

É provável que a visita real, com o seu séquito de ministros e funcionários do Passo tenha chamado a atenção para o escabroso caminho que então levava à vila, uma distância de quatro quilómetros que então se fazia dificilmente em cerca de uma hora. Todavia, a preocupação era maior em relação à estância termal, geralmente frequentada por gente importante, pois, em 1877, chegou às Caldas de Monchique a construção da estrada Portimão/Monchique, pelo processo de macadame. Acompanhando a novidade da estrada teve inicio neste mesmo ano a carreira de diligência para as Caldas, com a periodicidade de três dias por semana.

A chegada à vila deu-se, segundo a imprensa, às 11h45. Lorjó Tavares descreve a vila engrandecida por uma «deliciosa ornamentação toda campesina (…) com as ruas transformadas em tapetes de junco, postes enfeitados a murta, arcos singelos, medronheiros com as suas bagas vermelhas como morangos, festões torcidos a alecrim de que pendiam cachos de flores silvestres, maçãs e romãs, paredes de alto a baixo estufadas de murta e urzes». O texto do Branco e Negro aparece ilustrado com 10 belas e monumentais fotografias da vila, Caldas e Fóia.

À entrada da vila acumulava-se o povo simples, muito dele vindo expressamente do campo para ver o rei. Segundo ressalta da maioria da imprensa, a recepção não terá sido aqui tão calorosa como nas outras terras da província

Fonte:Jornal de Monchique

terça-feira, 29 de maio de 2012

Acontecimentos no ano de 1897-4ºparte

  • Maio,2- Eleições para a Câmara dos deputados
Ampla vitória dos progressistas, sob o governo de José Luciano.

Republicanos abstêm-se: até que uma lei regularmente votada em Cortes, dê, pelo menos, as garantias já conquistadas em 1884


Todos os eleitos por Lisboa são progressistas.

(cf. Adelino Maltêz)

  • Julho,8. Comemorações do 4ºcentenário da partida de Vasco da Gama para a Índia
Coincidindo com a inauguração das novas instalações da Sociedade de Geografia nas Portas de Santo Antão em Lisboa (ver foto), comemorou-se esta data

  • Maio,11-Congresso da Internacional Socialista
No ano seguinte à morte de Engels realizou-se em Londres um congresso da Internacional Socialista, que vem consolidar por proposta de Liebknecht a expulsão dos anarquistas das fileiras daquela organização, consolidando o marxismo como principal força política no interior do movimento operário europeu.

Esta resolução acentua o que se vinha esboçando desde o Congresso de Zurique, realizado 3 anos antes e que havia determinado a táctica que exigisse aos seus aderentes uma posição mais clara diante da luta política, inclusive parlamentar que ia radicalmente contra os princípios dos anarquistas.

Nesse congresso disseram claramente que é necessário conquistar os poderes públicos para legislar e administrar a nova sociedade.

Resolução que excluía da Internacional as organizações que não fossem partidárias da acção política visando à conquista do poder político pelo proletariado.

Também ali é reconhecido o direito das nações à auto determinação, criticando os sociais-democrata das grandes potências colonizadoras, que não defendam esse direito das colónias oprimidas pelos seus países.

Azedo Gneco representou o partido Socialista neste congresso de Londres. Gneco era um operário e foi secretário geral do Partido Socialista em substituição de José Fontana. Não aderiu inteiramente às teses deste congresso, recusando aceitar que o problema da classe operária passasse pela substituição da Monarquia pela República, nem aderindo às teses marxistas.

Apenas no que à auto determinação das colónias era mais flexível preconizando algumas "melhorias" na situação dos povos coloniais.

Em 1897 haverá uma cisão dentro do Partido Socialista, quando Ernesto Silva e Teodoro Ribeiro pretenderam uma aliança com o Partido Republicano, tendo surgido uma aliança republicano-socialista.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Acontecimentos no ano de 1897-2ºparte

  • Março,18-Criação de Escolas normais
A formação de professores do ensino secundário, apenas em 1901 se iniciou em Portugal, no entanto, as primeiras tentativas para a formação de professores primários datam de 1816

Em 1823 volta a instituir-se uma nova escola de ensino normal, segundo o método do ensino mútuo, destinada apenas para o sexo masculino. O principal introdutor do método e o primeiro director da escola foi João José le Coq.

Em 1839 abriu a escola normal de Lisboa, num improvisado edifício no Desterro. e também foi criada neste ano a escola normal de Coimbra.

O certo é que após muitos problemas em 1896 as escolas normais estavam praticamente reduzidas a 4, duas em Lisboa e duas no Porto.

Os sucessivos governos monárquicos acusados pelos republicanos e anarquistas de serem incapazes de resolver o problema do analfabetismo em Portugal, iniciam então uma fase de grandes investimentos no ensino primário.

Neste ano são criadas escolas normais em Vila Real, Évora, Bragança e Coimbra (duas escolas). O curso normal passa a ter dois anos de duração. No ano de 1897 são criadas mais 6 escolas normais (Braga, Viana do Castelo, Viseu, Guarda e Castelo Branco

  • Abril,12-Inaugurada na Escola Politécnica a Exposição Oceanográfica de D. Carlos.
D.Carlos assumiu claramente que o objectivo as suas pesquisas oceanográficas se destinavam exclusivamente a servir a industria da pesca. "

por um estudo metódico da distribuição e das épocas de passagem das diferentes espécies nas nossas águas melhores resultados pudessem ser obtidos", disse ele .

Começou as suas investigações em Setembro de 1896, ao largo de Cascais, no primeiro iate Amélia, um barco de 34 metros de comprimento, pouco satisfatório para a navegação no mar alto.

Foi com o objectivo por esse género de trabalhos que expôs as suas colecções de fauna marinha ela primeira vez na Escola Politécnica, mas que viria a repetir em anos seguintes.