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sexta-feira, 21 de março de 2014

Acontecimentos no ano de 1903.1ªparte


  • Em 23 de Fevereiro, Hintze Ribeiro remodela o governo.

Teixeira de Sousa passa da Marinha para a Fazenda
Este médico termalista transmontano, que foi médico militar e também accionista da Empresa de Águas de Vidago, tendo como membro do partido Regenerador desempenhado, diversos cargos públicos, antes da sua nomeação para a Marinha e agora a pasta da Fazendo.
Teixeira de Sousa viria a ser o último chefe de governo monárquico.

Manuel Rafael Gorjão assume a pasta da Marinha 
Nasceu em Lisboa, em 1846. General de brigada e governador colonial, fez a sua carreira no ultramar, designadamente em S. Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique. Foi governador de Moçambique, tomando posse em 1900, numa conjuntura particularmente sensível, aquando da guerra entre Inglaterra e o Transvaal.

Wenceslau de Sousa Pereira de Lima entra para os Estrangeiros
Nasceu este ilustre geólogo na cidade do Porto, no ano de 1858,matriculou-se na Faculdade de Filosofia da Universidade de Coimbra, cujo curso completou com distinção.
Professor Universitário durante perto de 30 anos

Pouco tempo depois de ter ascendido ao magistério superior, entrou para a política filiado no antigo partido regenerador, tendo desempenhado os lugares de governador civil dos distritos de Vila Real, Coimbra e Porto, sendo também eleito deputado pelos círculos do norte do país em diversas legislaturas.

Mais tarde em 1901 foi eleito Par do Reino, tendo tomado assente na respectiva câmara na sessão de 17 de Março do mesmo ano.

Alfredo Vieira Coelho Pinto Vilas Boas, 1º conde de Paçô Vieira, governador de Ponta Delgada, nas Obras Públicas, substituindo Vargas

A família pertencia à melhor aristocracia de Entre Douro e Minho. A família tinha fortes ligações aos meios políticos e grande implantação local, permitindo aspirar a uma carreira na magistratura ou na alta administração do Estado.
Depois de preparatórios em Braga e Guimarães, frequentou a Universidade de Coimbra, na qual obteve bacharelato em Direito no ano de 1883, tendo quase de imediato ingressado na magistratura.
Em 1890 foi promovido a juiz, por distinção, sendo colocado no Tribunal Administrativo de Viana do Castelo e depois como juiz de execução fiscal no Porto.
Filiado no Partido Regenerador e herdeiro político de seu pai, foi eleito deputado pela primeira vez nas eleições gerais de 30 de Março de 1890.
Durante o seu mandato prestou particular atenção ao problema das comunicações terrestres, com destaque para os caminhos de ferro, tendo sido construídas cerca de 500 km de vias, incluindo o ramal Guimarães-Fafe que passava em Paçô Vieira.


  • Março,13-Revolta do grelo em Coimbra

O protesto tem como pretexto a contribuição industrial, impedindo-se a entrada na cidade dos pequenos agricultores dos campos de Cernache. 
Intervenção da polícia e morte de um manifestante. Populares respondem à pedrada e ferem gravemente o comandante da força, o alferes Antunes. 
Nova carga policial e mais um morto. 
Estudantes manifestam-se em solidariedade para com as vítimas e a Universidade é encerrada. 
Nomeado um governador militar, com a cidade a ser ocupada por 500 soldados. 
No dia 14, greve de protesto dos comerciantes, que encerram as lojas. Os soldados são atacados a tiro. 
Progressistas apoiam as medidas do governo para o restabelecimento da ordem. Só no dia 16 é que a região volta à normalidade. Segundo denúncias publicadas no jornal O Dia, de 16 de Março, sociedades secretas de estudantes teriam previsto um ataque ao comboio no qual regressa a Lisboa, vindo de Paris, Pereira Carrilho. Embora o mesmo não tenha sido descarrilado, é efectivamente atacado a tiro e à pedrada.

Créditos: Anuário de 1903

  • Maio,16-João Franco lança em Lisboa um novo partido o Partido Regenerador Liberal

Consumou-se a dissidência de João Franco no seio do regeneradores com a formação do Centro-Regenerador-Liberal Opondo-se ao sistema rotativo a quem atribuía as culpas da degradação da situação política, o novo aprupamento apontava para o fortalecimento do podere executivo

sábado, 22 de dezembro de 2012

Acontecimentos no ano de 1901-1ºparte


  • Agitação anti-clerical


A filha de José Calmón, cônsul brasileiro no Porto foi raptada em 17 de Fevereiro de 1901, à saída da Igreja da Trindade no Porto, por um grupo de reaccionários, segundo clamou o cônsul. A sua filha de nome Rosa pretendia entrar para um convento contra a oposição da família.

A acusação da influência jesuítica, trouxe grande agitação por todo o País, nomeadamente em Setúbal onde foram mortos dois populares, pelos militares, na Avenida Luisa Todi, em sequência das manifestações, e em Lisboa

De qualquer forma esse incidente também serviu para acentuar a radicalização política, a partir duma questão religiosa que foi o pretexto para o aparecimento de movimentos anticlericais monárquicos, como a Liga Liberal, (em 25 de Abril), dirigida por José Dias Ferreira, e a Junta Liberal Republicana(em 30 de Abril), de Miguel Bombarda, enquanto os católicos se organizam, com destaque para a criação em Coimbra do Centro Nacional Académico, base do Centro Académico da Democracia Cristã (em 16 de Março de 1901)

O inquérito mandado abrir pelo governo a 10 de Março e mandará em sequência do mesmo, encerrar várias casas religiosas, chegando mesmo a proibir o noviciado, por decreto de 18 de Abril, muito embora tenha confirmado autorização às obras religiosas que se dedicassem à beneficência. 

Dum modo satisfatório e equilibrado havia o governo conseguido sair o governo, conseguindo inclusivamente obter grande aplauso para o rei quando a 14 de Abril aparece publicamente numa tourada no Campo Pequeno.

Difícil será contudo suster a crise que a ruptura com João Franco irá acentuar como se verá depois.

  • A ruptura Franquista e a Ignóbil porcaria

O acentuar das divergências há muito evidenciadas entre o chefe do governo Hintze Ribeiro e o deputado João Franco, dentro do Partido de ambos o Regenerador. Em 13 de Fevereiro de 1901, o Sr. João Franco proferiu sobre as concessões no Ultramar um discurso que não agradou ao governo, e que o presidente de conselho considerou de oposição declarada. 

Na sessão de 14 de Maio, o deputado Sr. Malheiro Reimão atacou vivamente o projecto relativo à contribuição industrial, e no dia seguinte o Sr. João Franco atacou também esse projecto, explicando desassombradamente à câmara as razões de ordem politica e económica que o levavam a combater esse projecto. 

Malheiro Reimão era um deputado amigo de João Franco. Hintze Ribeiro completamente fora de si, tomou a palavra para expulsar Reimão do Partido Regenerador, com a acusação de "na oposição se colocou e na oposição fica".

Este facto trouxe grandes repercussões no parlamento pois cerca de 25 deputados decidiram acompanhar João Franco, provocando uma ruptura na maioria parlamentar ficando apenas 70 do lado do governo de Ribeiro

Este cisão acabará por satisfazer os interesses do governo, pois Hintze conseguiu obter da parte do Rei a dissolução da câmara electiva, medida governamental que foi motivo de grandes controvérsias, porém D.Carlos decidira confiar emHintze dando lhe os meios para expulsar os franquistas do parlamento 

Revogada também a lei eleitoral e substituída pela de 8 de Agosto de 1901, que alterou por completo a anterior, realizaram-se as eleições gerais, ficando fora da câmara o João Franco e quase todos os seus amigos políticos. Estava, pois, consumada a cisão, e iniciada a existência dum novo grupo político, que tomou o título de partido regenerador-liberal.

Lei eleitoral de 1901 (Decreto de 8 de Agosto, a chamada ignóbil porcaria). Neste contexto, o governo hintzáceo emitiu a lei eleitoral de 8 de Agosto de 1901, onde, para além de se aumentar o número de deputados (para 157) e de se restaurar o processo de representação das minorias que havia sido extinto em 1895 (foram atribuídos 37 deputados às mesmas), criaram-se 26 grandes círculos plurinominais, 4 dos quais nas ilhas. Segundo o relatório do diploma procurava evitar-se a fragmentação dos partidos em clientelas e, com efeito, os influentes locais, a nível de freguesia e de concelho, deixaram de ter o tradicional poder. Por outro lado, os grandes partidos do sistema saíram altamente beneficiados, dado que o resultado eleitoral passou a ser controlado pelo acordo estabelecido entre o partido no governo e o principal partido da oposição. Naturalmente, os outros membros da oposição, percebendo a manobra, logo protestaram, principalmente João Franco que, num dos seus rasgos de baptismo verbal, logo acusou o diploma de ignóbil porcaria, visando o estabelecimento de uma ditadura eleitoral. Na prática, esta teoria funcionou com nova vitória do governo nas eleições de 6 de Outubro de 1901. Uma vitória de tal monta que os próprios franquistas só conseguiram eleger um deputado por Arganil, que não o respectivo líder. Com efeito, face ao desaparecimento da influência dos caciques locais, tudo passou a ser decidido por um acordo central entre a situação e a oposição, atingindo-se assim o nível do rotativismo puro. O partido no governo, com efeito, só não atingiu as maiorias em Aveiro e do Funchal e os próprios republicanos, apesar de aumentarem a votação, não conseguiram ver nenhum deputado eleito (só em 15 de Dezembro é que Afonso Costa apareceu eleito pelo círculo do Dondo, em Angola).
(Retirado de iscsp.ut)

Escritor português, natural de Vila do Conde, onde viveu até completar o quinto ano do liceu, após o que continuou a estudar no Porto. 
José Régio, pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira, publicou, em Vila do Conde, nos jornais O Democrático e República, os seus primeiros versos. Aos 18 anos, foi para Coimbra, onde se licenciou em Filologia Românica (1925), com a tese «As Correntes e As Individualidades na Moderna Poesia Portuguesa». 
Esta foi pouco apreciada, sobretudo pela valorização que nela fazia de dois poetas então quase desconhecidos, Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa. Esta tese, refundida, veio a ser publicada com o título Pequena História da Moderna Poesia Portuguesa (1941). 
Com Branquinho da Fonseca e João Gaspar Simões fundou, em 1927, a revista Presença (cujo primeiro número saiu a 10 de Março, vindo a publicar-se, embora sem regularidade, durante treze anos), que marcou o segundo modernismo português e de que Régio foi o principal impulsionador e ideólogo. Para além da sua colaboração assídua nesta revista, deixou também textos dispersos por publicações como a Seara Nova, Ler, O Comércio do Porto e o Diário de Notícias. No mesmo ano iniciou a sua vida profissional como professor de liceu, primeiro no Porto (apenas alguns meses) e, a partir de 1928, em Portalegre, onde permaneceu mais de trinta anos. Só em 1967 regressou a Vila do Conde, onde morreu dois anos mais tarde. 

Cântico Negro

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces 
Estendendo-me os braços, e seguros 
De que seria bom que eu os ouvisse 
Quando me dizem: "vem por aqui!" 
Eu olho-os com olhos lassos, 
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços) 
E cruzo os braços, 
E nunca vou por ali... 

A minha glória é esta: 
Criar desumanidade! 
Não acompanhar ninguém. 
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade 
Com que rasguei o ventre à minha mãe 

Não, não vou por aí! Só vou por onde 
Me levam meus próprios passos... 

Se ao que busco saber nenhum de vós responde 
Por que me repetis: "vem por aqui!"? 

Prefiro escorregar nos becos lamacentos, 
Redemoinhar aos ventos, 
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos, 
A ir por aí... 

Se vim ao mundo, foi 
Só para desflorar florestas virgens, 
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! 
O mais que faço não vale nada. 

Como, pois sereis vós 
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem 
Para eu derrubar os meus obstáculos?... 
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós, 
E vós amais o que é fácil! 
Eu amo o Longe e a Miragem, 
Amo os abismos, as torrentes, os desertos... 

Ide! Tendes estradas, 
Tendes jardins, tendes canteiros, 
Tendes pátria, tendes tectos, 
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios... 
Eu tenho a minha Loucura ! 
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura, 
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios... 

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém. 
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe; 
Mas eu, que nunca principio nem acabo, 
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo. 

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções! 
Ninguém me peça definições! 
Ninguém me diga: "vem por aqui"! 
A minha vida é um vendaval que se soltou. 
É uma onda que se alevantou. 
É um átomo a mais que se animou... 
Não sei por onde vou, 
Não sei para onde vou 
- Sei que não vou por aí!


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Acontecimentos no ano de 1896-1ºparte


  • Morte de João de Deus
Atendendo à informação disponível sobre João de Deus parece-me desnecessário, fazer resumos sobre a vida e obra deste poeta, parecendo mais importante assinalar blogues os fontes de informação que já estejam publicados na Internet e depois eventualmente, fazer alguns comentários.

Pare se obter o texto base desta entrada clicar aqui

João de Deus é o típico caso de vocação errada, que deveria ter escolhido letras em vez de direito.

Depois a incapacidade de ser pragmático, com certeza a razão de ser do poeta.

Qualquer ser "normal" tería governado a vida com as armas que tinha.

João de Deus não, vive na miséria, parece que chega a costurar roupa de senhora mas exercer direito, nem pensar.

Viver da poesia, talvez ainda hoje em Portugal, pareça não ser possível a menos que se case rico, como foi o caso.

A cartilha Maternal o método que criou para o ensina da leitura, haveria de o distinguir como pedagogo e uma nomeação com pensão vitalícia e uma condecoração a Ordem de Santiago e Espada.

Esse método de leitura terá sido seguido em Portugal, pelas minha contas cerca de 35/40 anos.

Gosto de recordar este poema de João de Deus, que ouvia com frequência dizer à minha mãe que o sabia de cor.

Dia de Anos

Com que então caiu na asneira
De fazer na quinta-feira
Vinte e seis anos! Que tolo!
Ainda se os desfizesse...
Mas fazê-los não parece
De quem tem muito miolo!

Não sei quem foi que me disse
Que fez a mesma tolice
Aqui o ano passado...
Agora o que vem, aposto,
Como lhe tomou o gosto,
Que faz o mesmo? Coitado!

Não faça tal: porque os anos
Que nos trazem? Desenganos
Que fazem a gente velho:
Faça outra coisa: que em suma
Não fazer coisa nenhuma,
Também lhe não aconselho.

Mas anos, não caia nessa!
Olhe que a gente começa
Às vezes por brincadeira,
Mas depois se se habitua,
Já não tem vontade sua,
E fá-los queira ou não queira!

  • Fevereiro,13-Lei de João Franco que procurava reprimir as acções violentas que ia acontecendo contra a ditadura de Hintze Ribeiro.
Lei que autorizava a deportação de quem fizesse propaganda anarquista, mas justificada por uma bomba solitária em Lisboa.

  • Março,13-Gungunhana chega a Lisboa, ficando preso no Forte de Monsanto.
O epílogo na guerra contra os Vátuas, aconteceu em Chaimite em 27 de Dezembro de 1895 quando Mouzinho de Albuquerque aprisionou o régulo Gungunhana, num episódio por demais conhecido em que para o humilhar mandou o poderoso régulo sentar-se no chão, levando-o preso para Lourenço Marques e mais tarde para Lisboa

De seguida é deportado com 7 das suas mulheres favoritas (tinha 3 mulheres principais), e outros familiares incluindo o filho Godide, para Portugal, a bordo do vapor «África» que fundeia, após uma difícil viagem de dois meses, na manhã de 13 de Março de 1896, no Tejo, frente a Cacilhas, ficando preso no Forte de Monsanto.

Em Portugal, Gungunhana é desumanamente humilhado e manuseado como troféu de caça preciosa e, finalmente, desterrado para a Ilha Terceira, onde chega a 27 de Junho de 1896.

Aí goza de uma certa liberdade e respeito, chegando a ser baptizado com o nome de Reynaldo Frederico Gungunhana


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Acontecimentos no ano de 1894-2ºparte

  • Novas eleições parlamentares
Dizia-se que as deliberações do governo sem o voto de João Franco eram nulas,o que minava a confiança no sucesso do governo, acrescido pela animosidade entre Franco e Hintze.

Os primeiro tempos da governação foram consumidos nas negociações com os comités de credores externos, acabando por encontrar uma forma de acordo com a Lei de 19 de Maio de 1893. Afinal o governo de Dias Ferreira havia reduzido o ´défice para "apenas" 4.000 contos.

A solução encontrada pelas Finanças, foi ao usual aumento de impostos sobre a Industria e o Comércio o que motivou o natural protesto das associações de classe, levando o governo a recuar, por temer em especial a efervescência nos distritos do norte.

Não foi por certo por Fuschini, ministro da Fazenda , ter visto as suas propostas de aumento da Contribuição Industrial sido recusadas, que aconteceram eleições para o Parlamento que confirmaram o apoio ao Partido Regenerador no governo, onde os Republicanos apenas elegeram 3 deputados. Não obstante D.Carlos decide dissolver o Parlamento, marcando novas eleições para o dia 7 de Março de 1894, posteriormente adiadas para o dia 15 de Abril.

A teia de intrigas e compadrios que fazia parte do complexo sistema político, era excessivamente complicada, para não falar dos próprios meandros do processo eleitoral, muito diferente do que podemos conceber nos nossos dias. Aquilo que hoje se poderia catalogar como caciquismo, é uma brincadeira de crianças comparado com o processo eleitoral desse tempo.

As eleições era o reflexo de meros acordos,nesta altura negociado perfeitamente ao centro, entre Regeneradores e Progressistas, que para o efeito se consideravam Monárquicos coligados a esse nível de interesse contra Republicanos e outras formações mais à esquerda, dai que não possa surpreender que a grande remodelação acontecida após esse período eleitoral tenha sido a substituição de Augusto Fuschini e a sua Liga Liberal do elenco governativo, ao qual nunca mais voltaria.

Afinal um dos amigos mais íntimos del-rei, não havia resistido á voragem das querelas partidárias.


  • No preâmbulo do governo em ditadura
A reabertura das cortes em Outubro de 1894 não correram nada bem, gerou-se uma grande confusão, muito embora as eleições de 15 de Abril tivessem determinado a reeleição da quase totalidade da anterior assembleia, menos uns 10 nomes.A oposição deu-lhe o nome do solar dos barrigas e o governo de ser o partido dos empregados públicos.

A guerra instalada entre os partidários de Hintze e Franco e a distribuição dos tachos fez com que nem se chegasse a perceber quem queria mais romper com a "saúde" da Assembleia.

Aconteceu então que em 28 de Novembro de 1894 a assembleia foi suspensa acabando por ser de novo dissolvida em 28 de Março de 1895.

Portanto desde Novembro de 1894 governou-se em regime de ditadura, apesar da oposição organizar grandes comícios de protesto.

A ditadura invoca a circunstância de governar contra os intriguistas e contra a política burocrática (João Franco). O conde de Ficalho dizia então que quem deve governar é quem paga,tudo o mais são histórias .

Ramalho Ortigão, considerava então que da eleição popular não sai nunca para o Governo aquele que mais sabe, mas sim aquele que mais intriga.