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terça-feira, 25 de março de 2014

Acontecimentos no ano de 1903-2~parte


.-Maio-Manifestação em Lisboa junta cerca de 3000 vitivinicultores

Uma imponente manifestação desfilou em Lisboa, levando ao Parlamento uma mensagem pedindo a adopção de medidas urgentes contra o problema da crise do vinho.

Esta crise devia-se essencialmente a um excesso de produção e no mercado internacional, pela entrada de vinhos doutras procedências , o que provocou uma acentuada queda nos preço, devido ao excesso de oferta.

.-Julho-Greves operárias no Porto

Começando pelos tecelões, rapidamente se generalizou a todas as categorias assalariadas da cidade bloqueando a produção e a circulação duranet vários dias

Créditos História de Portugal em datas de Luís Reis Torgal

.Agosto-Fundação do Boavista Footballers

foi fundado em 1 de Agosto de 1903 por um grupo de ingleses, colaboradores de uma fábrica Inglesa, a Graham, que se associaram a outros Portugueses residentes na área Ocidental do Porto.
A designação de então foi "Boavista Footballers", tendo a partir de 1910 adoptado a actual - Boavista Futebol Clube - após uma cisão com os elementos ingleses, que pretendiam jogar aos sábados (prática corrente em Inglaterra) mas que não se adaptava ao nosso país, já que o sábado era um dia normal de trabalho.

Em 11 de Abril de 1910 é inaugurado o estádio de então, no local das actuais instalações.

Segundo elementos históricos, o Boavista Futebol Clube foi o primeiro clube em Portugal a introduzir esta modalidade, que é o futebol, tendo inclusivamente sido o primeiro clube a constituir-se como profissional, em Janeiro de 1933.

-Dezembro,10-Afonso XIII de Espanha visita Portugal

Esta visita em bora como retribuição doutra que D.Carlos havia feito sózinho em , também tinha como não podia deixar de ser uma componente política, que também como sempre na política portuguesa, tinha que envolver a Inglaterra. 
Neste caso a visão de Hintze Ribeiro e de Venceslau de Lima impunha uma não dependência excessiva direi ainda única, face ao aliado britânico, que embora minimizado pela entente anglo-franco, impunha uma aproximação ibérica.


Assim aconteceu a visita do jovem Afonso XIII a Portugal entre 10 e 17 de Dezembro, passando por Lisboa, Vila Viçosa e Sintra.
Aproveitou-se muito do desenho dos festejos acontecidos anteriormente com a visita de Eduardo VII em Abril deste ano, tiro aos pombos, touradas e récita em São Carlos e jantar de gala na Ajuda.
A preocupação da diplomacia portuguesa, era a aproximação espanhola à Alemanha e os rumores que corriam que Guilherme Instigava a Espanha para "desconfiar dos portugueses", ajudando-os a ocupar Portugal.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Acontecimentos no ano de 1903.1ªparte


  • Em 23 de Fevereiro, Hintze Ribeiro remodela o governo.

Teixeira de Sousa passa da Marinha para a Fazenda
Este médico termalista transmontano, que foi médico militar e também accionista da Empresa de Águas de Vidago, tendo como membro do partido Regenerador desempenhado, diversos cargos públicos, antes da sua nomeação para a Marinha e agora a pasta da Fazendo.
Teixeira de Sousa viria a ser o último chefe de governo monárquico.

Manuel Rafael Gorjão assume a pasta da Marinha 
Nasceu em Lisboa, em 1846. General de brigada e governador colonial, fez a sua carreira no ultramar, designadamente em S. Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique. Foi governador de Moçambique, tomando posse em 1900, numa conjuntura particularmente sensível, aquando da guerra entre Inglaterra e o Transvaal.

Wenceslau de Sousa Pereira de Lima entra para os Estrangeiros
Nasceu este ilustre geólogo na cidade do Porto, no ano de 1858,matriculou-se na Faculdade de Filosofia da Universidade de Coimbra, cujo curso completou com distinção.
Professor Universitário durante perto de 30 anos

Pouco tempo depois de ter ascendido ao magistério superior, entrou para a política filiado no antigo partido regenerador, tendo desempenhado os lugares de governador civil dos distritos de Vila Real, Coimbra e Porto, sendo também eleito deputado pelos círculos do norte do país em diversas legislaturas.

Mais tarde em 1901 foi eleito Par do Reino, tendo tomado assente na respectiva câmara na sessão de 17 de Março do mesmo ano.

Alfredo Vieira Coelho Pinto Vilas Boas, 1º conde de Paçô Vieira, governador de Ponta Delgada, nas Obras Públicas, substituindo Vargas

A família pertencia à melhor aristocracia de Entre Douro e Minho. A família tinha fortes ligações aos meios políticos e grande implantação local, permitindo aspirar a uma carreira na magistratura ou na alta administração do Estado.
Depois de preparatórios em Braga e Guimarães, frequentou a Universidade de Coimbra, na qual obteve bacharelato em Direito no ano de 1883, tendo quase de imediato ingressado na magistratura.
Em 1890 foi promovido a juiz, por distinção, sendo colocado no Tribunal Administrativo de Viana do Castelo e depois como juiz de execução fiscal no Porto.
Filiado no Partido Regenerador e herdeiro político de seu pai, foi eleito deputado pela primeira vez nas eleições gerais de 30 de Março de 1890.
Durante o seu mandato prestou particular atenção ao problema das comunicações terrestres, com destaque para os caminhos de ferro, tendo sido construídas cerca de 500 km de vias, incluindo o ramal Guimarães-Fafe que passava em Paçô Vieira.


  • Março,13-Revolta do grelo em Coimbra

O protesto tem como pretexto a contribuição industrial, impedindo-se a entrada na cidade dos pequenos agricultores dos campos de Cernache. 
Intervenção da polícia e morte de um manifestante. Populares respondem à pedrada e ferem gravemente o comandante da força, o alferes Antunes. 
Nova carga policial e mais um morto. 
Estudantes manifestam-se em solidariedade para com as vítimas e a Universidade é encerrada. 
Nomeado um governador militar, com a cidade a ser ocupada por 500 soldados. 
No dia 14, greve de protesto dos comerciantes, que encerram as lojas. Os soldados são atacados a tiro. 
Progressistas apoiam as medidas do governo para o restabelecimento da ordem. Só no dia 16 é que a região volta à normalidade. Segundo denúncias publicadas no jornal O Dia, de 16 de Março, sociedades secretas de estudantes teriam previsto um ataque ao comboio no qual regressa a Lisboa, vindo de Paris, Pereira Carrilho. Embora o mesmo não tenha sido descarrilado, é efectivamente atacado a tiro e à pedrada.

Créditos: Anuário de 1903

  • Maio,16-João Franco lança em Lisboa um novo partido o Partido Regenerador Liberal

Consumou-se a dissidência de João Franco no seio do regeneradores com a formação do Centro-Regenerador-Liberal Opondo-se ao sistema rotativo a quem atribuía as culpas da degradação da situação política, o novo aprupamento apontava para o fortalecimento do podere executivo

domingo, 26 de janeiro de 2014

Exigência feita por oficiais do exercito ao Rei

Em Abril de 1902, correu o rumor que uns quantos oficiais do exército, tinham exigido ao rei um governo pessoal segundo o sistema prussiano, pensando-se até que poderiam estar envolvidos nessa exigência alguns oficiais da sua casa real.

Muito embora D.Carlos tenha negado o rumor o certo é que isso seria confirmado, pela publicação a 13 de Maio, no jornal Época de uma "mensagem dos oficiais de terra e mar" a D.Carlos.

Os subscritores colocavam-se num posição de radicalismo liberal, apresentando-se como os herdeiros do "punhado de bravos que se ilustraram nos rochedos da Terceira e nas lendárias linhas do Porto", que os autorizava a exigir a D.Carlos, uma ditadura liberal que suspendesse temporariamente o parlamentarismo para mais tarde, depois de várias reformas, por em prática a constituição sem atropelos.

O rei não atendeu a essa exigência, chegando mais tarde a ser saudado publicamente, por Homem Cristo no jornal o Povo de Aveiro, por ter recusado o prussianismo, que lhe pediam esse oficiais, que denunciava como republicanos sob as ordens de Cândido dos Reis.

Acontecimentos no ano de 1902-1~parte


  • Suicidio de Mouzinho de Albuquerque
Um dia Eça de Queiroz disse sobre Guerra Junqueiro

“Concluindo que a vida lhe não convinha, saiu dela voluntariamente”

o mesmo se pode dizer de Mouzinho de Albuquerque, a propósito do seu suicídio. Certo que sempre tivera da morte uma visão muito especial, atendendo a que por diversas vezes "invejara", algumas mortes de outros, quando consumadas em clima de glória, ou como ele dissera "morrer bem".

Não deixou de constituir um enigma para muitos, embora as três cartas escritas antes pudessem esclarecer o verdadeiras causas o certo é que a primeira dirigida a sua mulher D.Maria José, nunca foi revelado o seu conteúdo, a segunda escrita ao seu amigo Conde e Arnoso, foi queimada e a terceira escrita à Rainha D.Amélia, andou desaparecida algum tempo, só mais tarde encontrada na Torre do Tombo dizia

“Minha Senhora

Perdoe-me Vossa Majestade e não me ache cobarde pelo que fiz. Mas ser tido em mau conceito, ser desprezado é mais do que posso. Não creio que o suicídio nestas circunstâncias não seja um direito. Minha Senhora! Vossa Majestade nada perde senão um homem que no seu serviço fazia tudo e de tudo era capaz. Mas não pude ser. Paciência.

Perdoe-me Vossa Majestade e reze por mim, se acredita que existe alma. Eu não acredito. Beijo as mãos de Vossa Majestade cheio como sempre de reconhecimento e dedicação.

Seu Maior criado
Mouzinho de Albuquerque”.

Mais tarde num livro de memórias a Rainha D.Amélia disse ser sua convicção que Mouzinho pretendeu com o seu sacrifício, pôs fim em definitivo às atoardas postas a correr e que atentavam contra a honra de ambos.

Também o revólver que escolhera e que lhe daria garantia de não falhar e as munições que ele próprio havia comprado numa casa na rua do Ouro, deveriam ser suficientes para desvanecer as dúvidas sobre a autenticidade do seu suicídio.

Resumindo, como escrevi em blogue anterior, quando me referi às consequência do seu regresso de Moçambique por incapacidade de diálogo e de entendimento com as políticas do governo de Portugal

Incapaz de, pela sua própria formação militar rígida e pelo feitio orgulhoso, de resistir ao clima de intriga, de indecisão política e de decadência em que a monarquia agonizava, Mouzinho de Albuquerque prepara minuciosamente a sua morte, suicidando-se no interior de um "coupé", na Estrada das Laranjeiras no dia 8 de Janeiro de 1902.
Créditos : Revisitar Mouzinho de Albuquerque porJoão José Brandão Ferreira


  • As Companhias Reunidas de Gás e Electricidade alargam a toda a cidade de Lisboa a iluminação eléctrica.

Constituídas em 1891, a partir da fusão da Companhia Lisbonense de Iluminação a Gás e da Companhia Gás de Lisboa, a Câmara Municipal de Lisboa concedera-lhes o direito de "produzir, distribuir e vender gás e electricidade destinada à iluminação pública e particular e a outros usos domésticos e industriais na área municipal da cidade de Lisboa".

A introdução de sistemas de iluminação eléctrica em Portugal parece ter ocorrido em Setembro de 1878, com a exibição na Cidadela de Cascais, por ocasião de um aniversário do Rei D. Carlos, de seis candeeiros de arco voltaico importados de Paris, idênticos aos que iluminavam a Praça da Ópera.

Refiram-se ainda outras iniciativas dispersas da iluminação eléctrica, como foi o caso, em 1886, da instalação eléctrica do Teatro S. Carlos, a do Arsenal da Marinha em 1887, a do laboratório fotográfico de Emílio Biel, no Porto, a iluminação da Real Fábrica de Fiação em Tomar, a partir de 1884, ou, em Lisboa, em 1889, a instalação do "Posto de Luz Eléctrica da Avenida".

Em 1893, Braga foi iluminada e, no ano seguinte, Vila Real é a primeira rede de iluminação pública com recurso à energia hidráulica, a partir do rio Corgo.

Créditos: Fundação Mário Soares
  • Janeiro,05-Congresso do Partido Republicano em Coimbra
Repressão monárquica e divergência no seio do partido noemadamente entre Afonso Costa e Sampaio Bruno, levaram a alguma quebra na actuação deste partido.
Foram então neste congreso retirados alguns poderes ao Directório e entregues a 3 juntas directivas (norte, centro e sul), descentralização que terá animado os organismos de base.


  • Janeiro,29-Jacinto Cândido anuncia na Câmara dos Pares a formação de um Partido Nacionalista.
Saído das hostes clericais ligadas ao Centro Católico fundado alguns meses antes. Jacinto Cândido da Silva (nasceu 30 de Novembro de 1857 em Angra do Heroísmo e morreu a 26 de Novembro de 1926), dissidente do Partido Regenerador, onde adquiriu a reputação de "conservador progressista", funda, juntamente com Jerónimo Pimentel e o conde de Bertiandos, o Partido Nacionalista. Este partido foi comparado pelos contemporâneos ao Zentrum, partido conservador e católico alemão. Jacinto Cândido tentou formar o bloco social-católico à semelhança do que acontecia em outros países da Europa, defendendo o catolicismo e políticas nacionalistas.

Créditos: Fundação Mário Soares

domingo, 30 de dezembro de 2012

Acontecimentos no ano de 1903-3`parte


  • Dezembro,19-Nascimento de Vitorino Nemésio

Nasceu em 1901, na Ilha Terceira, Açores. Frequentou o liceu em Angra e na Horta (Ilha do Faial), onde concluiu o 5º ano.

Em 1919, iniciou o serviço militar como voluntário, o que lhe proporcionou a primeira viagem ao Continente. Em Coimbra, terminou o liceu e frequentou a Universidade, primeiro como aluno de Direito, depois de Letras.

Optando definitivamente pelo curso de Filologia Românica, viria a obter a sua licenciatura em 1931 em Lisboa, dando início ao mesmo tempo a uma distinta carreira académica na Faculdade de Letras. Como professor, o seu percurso levou-o ainda a leccionar em Montpellier, em Bruxelas e em várias universidades no Brasil.

Poeta, ficcionista, crítico, biógrafo e investigador literário, Vitorino Nemésio é autor de uma obra equiparável, nas palavras de David Mourão-Ferreira, a «um arquipélago».

Fundador e director da Revista de Portugal (1937-1941), uma publicação literária importante no panorama português do século XX, Nemésio colaborou também de forma intensa em revistas literárias, em jornais, na rádio e na televisão. Ficou célebre – e presente até hoje na memória dos portugueses mais velhos - a sua colaboração na RTP com o programa «Se bem me lembro», no início dos anos setenta.
  • Dezembro, 24 - Reforma do ensino primário, passando a ser gratuito e obrigatório.
Durante 3 anos, concluindo-se com o exame do 1º grau (3ª classe), Nesse tempo o vencimento dos professores continuava a manter-se o mais baixo da função pública.

Acontecimentos no ano de 1901-2´parte


  • Março,16-Fundação da Sociedade Nacional de Belas Artes - Lisboa
Em 14 de Dezembro de 1901 distribuiu o Grémio um convite para uma Assembleia Geral a fim de tratar da sequência das negociações e na circular de 18/1/1901, anunciaram-se as assembleias gerais conjuntas que vieram a realizar-se em 26 daquele mês que aprovaram os Estatutos confirmados pelo Alvará de 16 de Março. Fundara-se, assim, a Sociedade Nacional de Belas Artes.

A primeira Assembleia Geral para eleição dos Corpos Gerentes realizou-se em 22/3/1901, sendo eleitos para a Assembleia Geral, presidente José de Azevedo Castelo Branco, vice-presidente António Joaquim de Oliveira, 1º secretário D. José Pessanha e 2º secretário Luciano Freire; para a Direcção, José Malhoa, presidente, 1.° secretário Rosendo Carvalheira, 2º secretário Francisco Carlos Parente, tesoureiro Luciano Lallemant e vogais Costa Mota (tio), Ernesto Condeixa e Conceição Silva; Conselho Fiscal: Visconde de Atouguia, Gabriel Pereira e Manuel de Macedo, tendo a Direcção reunido pela primeira vez na Academia de Belas Artes, em 28/3/1901.

A primeira exposição efectuou-se em Abril seguinte e a primeira concessão de prémios teve lugar em 1/6/1901, dando-se a Medalha de Honra a José Ferreira Chaves, como homenagem póstuma.


  • Junho,01-João Arroio abandona o governo, sendo substituído por Matoso dos Santos no ministério dos negócios estrangeiros.
Este abandono por parte de João Arroio também contribuiu para a dissolução do parlamento devido à perda pelo governo do apoio da facção João Arroio do, já enfraquecido pela saída do grupo de João Franco.

  • Dezembro, 2 - Abertura do Congresso Colonial Nacional, com a participação do rei D. Carlos.

Dois aspectos entre muitos outros, foram defendidos, por um lado a manutenção das instituições indígenas, que não se opusessem á moral e à justiça. Foi ainda referida a necessidade de se dar maior autonomia e poder aos governadores, bem como de legislação separada para africanos e europeus.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Acontecimentos no ano de 1901-1ºparte


  • Agitação anti-clerical


A filha de José Calmón, cônsul brasileiro no Porto foi raptada em 17 de Fevereiro de 1901, à saída da Igreja da Trindade no Porto, por um grupo de reaccionários, segundo clamou o cônsul. A sua filha de nome Rosa pretendia entrar para um convento contra a oposição da família.

A acusação da influência jesuítica, trouxe grande agitação por todo o País, nomeadamente em Setúbal onde foram mortos dois populares, pelos militares, na Avenida Luisa Todi, em sequência das manifestações, e em Lisboa

De qualquer forma esse incidente também serviu para acentuar a radicalização política, a partir duma questão religiosa que foi o pretexto para o aparecimento de movimentos anticlericais monárquicos, como a Liga Liberal, (em 25 de Abril), dirigida por José Dias Ferreira, e a Junta Liberal Republicana(em 30 de Abril), de Miguel Bombarda, enquanto os católicos se organizam, com destaque para a criação em Coimbra do Centro Nacional Académico, base do Centro Académico da Democracia Cristã (em 16 de Março de 1901)

O inquérito mandado abrir pelo governo a 10 de Março e mandará em sequência do mesmo, encerrar várias casas religiosas, chegando mesmo a proibir o noviciado, por decreto de 18 de Abril, muito embora tenha confirmado autorização às obras religiosas que se dedicassem à beneficência. 

Dum modo satisfatório e equilibrado havia o governo conseguido sair o governo, conseguindo inclusivamente obter grande aplauso para o rei quando a 14 de Abril aparece publicamente numa tourada no Campo Pequeno.

Difícil será contudo suster a crise que a ruptura com João Franco irá acentuar como se verá depois.

  • A ruptura Franquista e a Ignóbil porcaria

O acentuar das divergências há muito evidenciadas entre o chefe do governo Hintze Ribeiro e o deputado João Franco, dentro do Partido de ambos o Regenerador. Em 13 de Fevereiro de 1901, o Sr. João Franco proferiu sobre as concessões no Ultramar um discurso que não agradou ao governo, e que o presidente de conselho considerou de oposição declarada. 

Na sessão de 14 de Maio, o deputado Sr. Malheiro Reimão atacou vivamente o projecto relativo à contribuição industrial, e no dia seguinte o Sr. João Franco atacou também esse projecto, explicando desassombradamente à câmara as razões de ordem politica e económica que o levavam a combater esse projecto. 

Malheiro Reimão era um deputado amigo de João Franco. Hintze Ribeiro completamente fora de si, tomou a palavra para expulsar Reimão do Partido Regenerador, com a acusação de "na oposição se colocou e na oposição fica".

Este facto trouxe grandes repercussões no parlamento pois cerca de 25 deputados decidiram acompanhar João Franco, provocando uma ruptura na maioria parlamentar ficando apenas 70 do lado do governo de Ribeiro

Este cisão acabará por satisfazer os interesses do governo, pois Hintze conseguiu obter da parte do Rei a dissolução da câmara electiva, medida governamental que foi motivo de grandes controvérsias, porém D.Carlos decidira confiar emHintze dando lhe os meios para expulsar os franquistas do parlamento 

Revogada também a lei eleitoral e substituída pela de 8 de Agosto de 1901, que alterou por completo a anterior, realizaram-se as eleições gerais, ficando fora da câmara o João Franco e quase todos os seus amigos políticos. Estava, pois, consumada a cisão, e iniciada a existência dum novo grupo político, que tomou o título de partido regenerador-liberal.

Lei eleitoral de 1901 (Decreto de 8 de Agosto, a chamada ignóbil porcaria). Neste contexto, o governo hintzáceo emitiu a lei eleitoral de 8 de Agosto de 1901, onde, para além de se aumentar o número de deputados (para 157) e de se restaurar o processo de representação das minorias que havia sido extinto em 1895 (foram atribuídos 37 deputados às mesmas), criaram-se 26 grandes círculos plurinominais, 4 dos quais nas ilhas. Segundo o relatório do diploma procurava evitar-se a fragmentação dos partidos em clientelas e, com efeito, os influentes locais, a nível de freguesia e de concelho, deixaram de ter o tradicional poder. Por outro lado, os grandes partidos do sistema saíram altamente beneficiados, dado que o resultado eleitoral passou a ser controlado pelo acordo estabelecido entre o partido no governo e o principal partido da oposição. Naturalmente, os outros membros da oposição, percebendo a manobra, logo protestaram, principalmente João Franco que, num dos seus rasgos de baptismo verbal, logo acusou o diploma de ignóbil porcaria, visando o estabelecimento de uma ditadura eleitoral. Na prática, esta teoria funcionou com nova vitória do governo nas eleições de 6 de Outubro de 1901. Uma vitória de tal monta que os próprios franquistas só conseguiram eleger um deputado por Arganil, que não o respectivo líder. Com efeito, face ao desaparecimento da influência dos caciques locais, tudo passou a ser decidido por um acordo central entre a situação e a oposição, atingindo-se assim o nível do rotativismo puro. O partido no governo, com efeito, só não atingiu as maiorias em Aveiro e do Funchal e os próprios republicanos, apesar de aumentarem a votação, não conseguiram ver nenhum deputado eleito (só em 15 de Dezembro é que Afonso Costa apareceu eleito pelo círculo do Dondo, em Angola).
(Retirado de iscsp.ut)

Escritor português, natural de Vila do Conde, onde viveu até completar o quinto ano do liceu, após o que continuou a estudar no Porto. 
José Régio, pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira, publicou, em Vila do Conde, nos jornais O Democrático e República, os seus primeiros versos. Aos 18 anos, foi para Coimbra, onde se licenciou em Filologia Românica (1925), com a tese «As Correntes e As Individualidades na Moderna Poesia Portuguesa». 
Esta foi pouco apreciada, sobretudo pela valorização que nela fazia de dois poetas então quase desconhecidos, Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa. Esta tese, refundida, veio a ser publicada com o título Pequena História da Moderna Poesia Portuguesa (1941). 
Com Branquinho da Fonseca e João Gaspar Simões fundou, em 1927, a revista Presença (cujo primeiro número saiu a 10 de Março, vindo a publicar-se, embora sem regularidade, durante treze anos), que marcou o segundo modernismo português e de que Régio foi o principal impulsionador e ideólogo. Para além da sua colaboração assídua nesta revista, deixou também textos dispersos por publicações como a Seara Nova, Ler, O Comércio do Porto e o Diário de Notícias. No mesmo ano iniciou a sua vida profissional como professor de liceu, primeiro no Porto (apenas alguns meses) e, a partir de 1928, em Portalegre, onde permaneceu mais de trinta anos. Só em 1967 regressou a Vila do Conde, onde morreu dois anos mais tarde. 

Cântico Negro

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces 
Estendendo-me os braços, e seguros 
De que seria bom que eu os ouvisse 
Quando me dizem: "vem por aqui!" 
Eu olho-os com olhos lassos, 
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços) 
E cruzo os braços, 
E nunca vou por ali... 

A minha glória é esta: 
Criar desumanidade! 
Não acompanhar ninguém. 
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade 
Com que rasguei o ventre à minha mãe 

Não, não vou por aí! Só vou por onde 
Me levam meus próprios passos... 

Se ao que busco saber nenhum de vós responde 
Por que me repetis: "vem por aqui!"? 

Prefiro escorregar nos becos lamacentos, 
Redemoinhar aos ventos, 
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos, 
A ir por aí... 

Se vim ao mundo, foi 
Só para desflorar florestas virgens, 
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! 
O mais que faço não vale nada. 

Como, pois sereis vós 
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem 
Para eu derrubar os meus obstáculos?... 
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós, 
E vós amais o que é fácil! 
Eu amo o Longe e a Miragem, 
Amo os abismos, as torrentes, os desertos... 

Ide! Tendes estradas, 
Tendes jardins, tendes canteiros, 
Tendes pátria, tendes tectos, 
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios... 
Eu tenho a minha Loucura ! 
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura, 
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios... 

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém. 
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe; 
Mas eu, que nunca principio nem acabo, 
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo. 

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções! 
Ninguém me peça definições! 
Ninguém me diga: "vem por aqui"! 
A minha vida é um vendaval que se soltou. 
É uma onda que se alevantou. 
É um átomo a mais que se animou... 
Não sei por onde vou, 
Não sei para onde vou 
- Sei que não vou por aí!