
(August Spies um dos enforcados em Chicago)
No dia 1º de Maio de 1886, 500 mil trabalhadores saíram às ruas de Chicago, nos Estados Unidos, em manifestação pacífica, exigindo a redução da jornada para oito horas de trabalho. A polícia reprimiu a manifestação, dispersando a concentração, depois de ferir e matar dezenas de operários.
Não é uma simples data que se comemora, deste incidente resultou a prisão de oito líderes do movimento. Quatro foram condenados à morte por enforcamento e os restantes a prisão perpétua.
Em 1890, o Congresso americano vota a lei que estabelece a jornada de oito horas de trabalho e três anos mais tarde, depois da reabertura do processo que levou à condenação dos oito operários, conclui-se que a bomba que explodiu em Chicago tinha sido colocada pela própria polícia.
Em Julho de 1889, o Congresso Operário Internacional, reunido em Paris, aprovou por proposta do socialista Jules Guesde a instituição do 1º de Maio como data universal para as classes trabalhadoras confraternizarem e reivindicarem o dia normal de oito horas, em homenagem aos mártires de Chicago.
O operariado português também saiu a rua, como aconteceu em muitos outros países, reclamando a redução da jornada de trabalho no dia 1 de Maio de 1890. A iniciativa foi conduzida pela Associação dos Trabalhadores da Região Portuguesa e decorreram em Lisboa e no Porto.
D.Carlos não passou esse dia em Lisboa, saiu para Vila Viçosa a 30 de Abril, regressando no dia 2 de Maio.
Naquele dia do século XIX trabalhadores de todo o mundo responderam à convocação da jornada de luta internacional por melhores condições de vida. E dessa forma homenagearam os mártires de Chicago.
Não se pense contudo que estas foram as primeiras manifestações de "luta operária" em Portugal, segundo José Mattoso, entre 1852 e 1910 realizaram-se 559 greves no nosso país. A subida dos salários, a diminuição da jornada de trabalho e a melhoria das condições de laboração eram as principais exigências dos operários.
Por curiosidade, no dia 4 de Maio, realiza-se em Lisboa um comício operário na Rua Nova da Piedade, onde se falou de Karl Marx.
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